3 frases que não escutará vindas dos melhores oradores


Escutar oradores competentes é uma experiência fantástica. Tudo o que declaram parece, de algum modo, apelar ao seu auditório.Os melhores oradores sabem manter a atenção daqueles que o escutam ao longo da sua apresentação: as suas prelecções informam, educam e motivam de forma fluida e segura.
O problema é quando algumas comunicações se perdem porque os seus oradores disseram coisas que não deviam. Existem frases que irão intoxicar o bom ambiente da comunicação em público e que irão alienar o auditório. Estas frases podem ser ditas com a melhor das intenções, contudo, isso não impede que a comunicação fique contaminada e as pessoas queiram , de imediato, evacuar a sala.

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Elas podem afectar, por exemplo, a credibilidade do orador; ou podem entrar em conflito directo com os interesses do auditório. Por isso mesmo, devemos evitar as frases tóxicas.

Há comunicações que se destacam precisamente porque aquilo que não dizem.
Indico-vos 5 frases tóxicas que afectam e infectam as apresentações mais desprevenidas e que, por isso, não devem ser ditas.
Ao evitarem estas armadilhas letais, as vossas comunicações tornar-se-ão mais efectivas .



Frase #1 - "Desliguem os vossos telemóveis e computadores"

 Em si, não é uma má pretensão. Afinal, pretendem evitar que os toques do telemóvel, os sons das notificações do computador, e todo um conjunto de efeitos sonoros perturbe a sua exposição.
Infelizmente, nalgumas circunstâncias, fazer este pedido despoleta uma reacção adversa. O auditório fica ressentido por o orador estar a mandar no seu comportamento. Na verdade, a não ser que se esteja numa sala de aula, os auditórios (por exemplo, uma reunião de trabalho) irão opor-se e achar o orador arrogante por lhes dizer o que fazer com os seus próprios bens.
A afirmação é, assim, contraproducente. Em vez de motivar a atenção das pessoas, irá motivar a sua resistência. Por outro lado, a utilização das tecnologias pode ser um complemento importante à comunicação e revelar o empenho e entusiasmo do auditório.


Solução: Em alternativa à frase tóxica, pode antes pedir que todos os computadores, tablets e telemóveis fiquem em modo de voo. Desta maneira, o auditório conserva a sua autonomia, reconhece a boa-vontade do orador, ao mesmo tempo que evita interrupções ou distracções sonoras. Ou seja, o orador obtém aquilo que deseja sem que o auditório se sinta constrangido ou afectado.


Frase #2 - "Se não me querem ouvir, saiam"

Alguns oradores estão tão concentrados nas suas comunicações que, por vezes, se irritam com a mínima perturbação do auditório: corpos a mexerem-se nas cadeiras, canetas a pousar ou pequenos comentários murmurados podem ser a gota de água.
Recentemente fui testemunha de um caso semelhante.
A comunicação prolongava-se bem para lá do tempo esperado: os 60 minutos já haviam sido ultrapassados e as pessoas começavam a dar sinais de cansaço. O orador continuava embrenhado nas suas ideias sem que, contudo, isso fizesse com que não tivesse percebido a instabilidade no auditório.
Ficou irritado e acabou por, em exasperação, dizer: "Se não me querem ouvir, saiam".

Como acham que o auditório vê este orador? Uma afirmação inesperada como esta parece petulante. Mas o pior será provavelmente o facto de revelar intolerância e não respeitar o auditório. O orador discursa para alguém. Arremessar-lhe de forma inesperada uma frase destas revela que o orador está mais preocupado consigo e exprimir egoisticamente as suas ideias, do que em comunicar as suas ideias com o auditório.
O orador deve sempre respeitar o auditório. E neste caso, teria sido bem fácil de o fazer: bastaria, por exemplo, ter respeitado o tempo de comunicação expectável. O auditório respeitou o orador permanecendo nos seus lugares. Porém, ele não foi capaz de retribuir porque o importante para ele era acabar de ler o discurso que tinha preparado.

Solução: Em alternativa à frase tóxica, pode consultar o relógio e abreviar a comunicação. Reconheça que ultrapassou o tempo e peça a compreensão do auditório. Diga: " Lamento estar a tomar mais do vosso tempo do que o desejado. Em suma, ...."
A melhor maneira de lidar com as inquietações, distracções e cansaço do auditório não é repreender: basta reconhecer as causas desse cansaço e evitá-lo.


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Frase #3- "Já falei disso. Se tivesse prestado atenção, não faria essa pergunta"

Um clássico: um orador, frustrado, decide retaliar de única forma que pode. Se o auditório não compreendeu com clareza a mensagem ou confunde algum tópico, isso pode dever-se a si, e não àqueles que o escutam. 
E mesmo que tenha sido extremamente claro, o auditório pode facilmente distrair-se e perder o fio da argumentação (por exemplo, duas pessoas que chegam atrasadas, ou um SMS que chegou). Não seja demasiado duro com o seu auditório. É normal que ele possa esquecer-se de alguma coisa. 
Os melhores oradores reconhecem este facto e agem em conformidade. Em vez de alienar pessoas que os escutam eles evitam embaraçar o auditório e coloca-lo na defensiva. Não adianta de de nada  dizer que já falou do assunto quando lhe fazem um pergunta sincera. Não culpe o auditório, mesmo que ele se tenha distraído.


Solução: Em alternativa à frase tóxica pode dizer "Tenho todo o gosto em voltar a esse tópico. Talvez não tenha sido claro há pouco". Já reparou na diferença?
Em vez de colocar a tónica do problema no auditório, estará a assumir o seu papel de comunicador esclarecendo o auditório; e simultaneamente, está a indicar de forma subtil que esse assunto não foi inicialmente esquecido no seu discurso.
Mais, o auditório perceberá a sua disponibilidade e será visto de forma mais positiva.

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Da próxima vez que falar em público, não se esqueça que podemos fazer muito pelos nossos discursos e pelos nossos auditórios se não dissermos certas coisas.
Em síntese, não condicione, não desrespeite nem aliene o seu auditório.
Ao evitar estas 3 frases tóxicas, estará mais perto de fazer com que as suas ideias sejam melhor apreciadas. Não contamine o seu auditório e...



Boas apresentações : Comunicar mais, Persuadir Melhor!


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