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Mito: o auditório está ali para julgar o orador

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Por vezes, encontro pessoas que me confessam o quanto preferem estar sentados na sala de conferências. Dizem-me elas que não aguentam falar em público porque se sentem avaliadas, julgadas e até criticadas! Este é um mito persistente, o de que o orador, ao apresentar-se perante um auditório, se encontra numa posição de inferioridade e vulnerabilidade, uma vez que fica exposto ao (alegadamente) duro olhar daqueles que escutam. Tal não é absolutamente verdade.  Sem dúvida que qualquer orador se submete à apreciação e ao escrutínio do auditório. Mas isso não quer dizer que um orador tem a difícil tarefa de convencer o auditório a não o criticar. O ponto de partida é inverso: o orador tem de convencer o auditório, não a abster-se de criticar, mas de aderir às suas teses, e a gostar daquilo que escuta. O auditório não está ali para julgar ou examinar o orador nem o discurso visa apenas proteger o orador das eventuais críticas. O orador discursa em público para ajudar o a...

Mito: os introvertidos não podem ser bons oradores

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Outra das ideias pré-concebidas mais frequentes acerca da oratória e da comunicação em público afirma que as pessoas tímicas, reservadas ou discretas não podem proferir bons discursos. Assim, seria como se os grandes oradores fossem "abençoados" por terem uma personalidade extrovertida, alegre e comunicativa e aqueles que, habitualmente, são menos descontraídos seriam imediatamente remetidos ao silêncio. Não é assim! O carácter do orador (no sentido psicológico do termo e não no sentido retórico de ethos ) ajuda a determinar o rumo da comunicação, mas não é determinante para o seu sucesso. Isto quer dizer que até as pessoas mais introvertidas podem ser excelentes oradoras! Certo, o leitor não gosta de ter todas as atenções em si. Mas isso não significa que, assim seja necessário, deixe para trás esses receios e assuma o palco com eloquência. Os introvertidos são também pessoas que podem fazer a diferença. Sobre este assunto, podem ler o livro recentemente traduzido...

Mito: os melhores Discursos são aqueles que são memorizados

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Um bom discurso é aquele que o orador conhece perfeitamente. Mas como fazer para dominar o discurso? Um dos mais importantes cânones da retórica é precisamente a Memória. Por isso, um dos mitos mais conhecidos afirma que só um discurso memorizado de uma ponta à outra pode ser um bom discurso.  Assim, os melhores oradores seriam aqueles que recitavam, sem qualquer hesitação, palavra a palavra o seu discurso. Mas será mesmo assim? Nem sempre. Na verdade, não precisamos necessariamente de memorizar integralmente um discurso . E nem sequer aconselho que o faça se não tiver já muita experiência de oratória. Porquê? Um dos maiores riscos de uma memorização simples e intensiva é o orador parecer um "boneco" a recitar apenas um texto que não lhe pertence.  A memória é central na retórica! Mas isso não quer dizer que o orador tenha obrigatoriamente de rememorar um conjunto de parágrafos de forma mecânica, robótica ou desapaixonada. Em contraste, a boa ora...

Mito: só os oradores inexperientes ficam nervosos!

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Existem convicções, no mundo da comunicação em público, difíceis de desaparecer.  Uma delas talvez seja  acreditarmos que apenas os oradores amadores, ou que são menos experientes, sentem nervosismo antes das suas apresentações. Trata-se de um mito!   Na verdade, encontra-se muito longe do que acontece, todos os dias, nos diversos palcos do planeta.  Os oradores mais experientes também ficam nervosos . De facto, aqueles oradores que mais nos impressionam lidam, tal como qualquer outra pessoa, com o nervosismo e excitação psíquica. A diferença é que eles sabem como impedir que a agitação interior que sentem evolua e se transforme em ansiedade oratória. Aqui , por exemplo, encontram um video que dá dicas de como lidar com a ansiedade oratória.  Neste post, pelo contrário, concentramo-nos nos efeitos positivos que o nervosismo pode ter antes de se transformar num obstáculo.  Assim, não apenas o nervosismo é algo natural nos oradores, c...