Oradores irreverentes sim...mas não histriónicos!



Por regra, queremos oradores que se destaquem! Oradores carismáticos, enérgicos e confiantes, pessoas activas e nos chamam a atenção e não permitem que os esqueçamos mais. Queremos oradores irreverentes que "magnetizem" o auditório com o seu entusiasmo e vivacidade.

Alguns deles até usam adereços e todo o tipo de objectos para melhor ilustrar ou demonstrar as suas ideias. A maneira como os usam singularizam a apresentação fazendo com que seja difícil ao auditório esquecer-se daquele discurso marcante.


Cada orador tem o seu estilo. 
Conheço vários exemplos de pessoas cujo tom de voz é troante e vigoroso. Falam com convicção e força na voz. 
Outros oradores começam por falar sentados mas quando atingem o clímax do seu discurso, entram num estado ebulitivo, quase furioso (no bom sentido da palavra), levantando-se e gesticulando intensamente.

Independentemente do estilo de cada, a singularidade do orador não deverá nunca confundir irreverência e arrojo (não apenas no que dizem mas na forma como o proferem) com excesso de expansividade e histrionismo.

Alguns oradores insistem tanto em destacar-se a qualquer custo que acabam por cair no excesso. Exageram nas expressões faciais, exageram na  frequência e amplitude dos gestos, exageram, enfim, no volume de tom, no tom, na linguagem corporal ou até no vocabulário utilizado.

O orador histriónico é aquele que chama demasiado a atenção para si próprio, em vez de chamar a atenção para as suas ideias. Normalmente assume poses teatrais e extravagantes que o aproximam da comédia que o tornam muito expressivo.

O problema maior é quando essa atitude é demasiado egocêntrica que apaga quase por completo o discurso e as ideias do orador. 
Não é o orador que deve ser o centro das atenções mas as ideias interessantes e inovadoras que apresenta perante o auditório. O orador deve ser irreverente mas isso não quer dizer que use a aparência física para se destacar e se transforme numa "personagem engraçada". 

Os oradores são pessoas e nunca personagens (a menos que se trate de stand-up comedy). O auditório deve poder confiar e identificar-se com o orador. Quando este é burlesco, imoderado ou excessivamente expansivo, passa apenas a ser uma personagem curiosa. Neste caso, a identificação é menor e a comunicação da mensagem é secundarizada.

Isto não quer dizer que, por vezes, as poses teatrais não ajudem o orador a transmitir a suas ideias. Mas se as exagerarmos, elas atrapalharão mais do que ajudarão. Já vi um orador perder por completo a noção de palco, do seu discurso e, inclusivamente, perder o auditório quando entrou numa espiral teatral que parecia não ter fim. Ele ficou sozinho na sua deambulação. O auditório continuava presente e no entanto, este orador perdeu-se do auditório e este desligou-se do discurso, distraído com todo o aparato.


Caros leitores, singularizem-se mas sempre com moderação.
Destaquem-se nas vossas comunicações mas sempre sem assumirem uma postura histriónica e demasiado artificial.




Retoricamente, bons discursos!

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