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Grandes Discursos: Margaret Tatcher na Câmara dos Comuns

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Margaret Tatcher, primeira-ministra britânica na Câmara dos Comuns (anos 1980)





Eis um pequeno excerto do discurso no qual se observam vários detalhes relevantes do ponto de vista retórico: A tendência da oradora de ler o discurso poderia fazer com que não estabelecesse contacto visual com o auditório. Contudo, a oradora tem o cuidado de enfrentar o auditório diversas vezes, durante vários segundos, enquanto discursa. (ver video)Insistência no uso da Anáfora (repetição da mesma palavra ou expressão) como em "Como seria prazeroso, como seria popular" (...); ou " todas as empresas têm de fazê-lo, toda a dona de casa tem de fazê-lo."Utilização da Antítese (duas ideias opostas): " Não existe apenas essa coisa de...(...), existe apenas o dinheiro...."Personificação do EstadoAssíndeto: "Como seria prazeroso, (e) como seria popular"; "Proteger a carteira do cidadão, (e) proteger os serviços públicos (...)".Metonímia: "Proteger a carteira d…

Livro: "50 Grandes Discursos da História"

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Um orador profissional passa a maior parte do tempo a discursar. Conhece muitos auditórios e passa o dia a partilhar com os outras novas maneiras de pensar, fazer ou compreender. Mas um orador competente também não descura a leitura de obras que o ajudem a melhorar.
Apresento-vos o livro 50 Grandes Discursos da História de Manuel Robalo e Miguel Mata das Edições Sílabo. Apesar da edição não ser novo, trata-se de uma boa sugestão de leitura para aqueles que querem conhecer os discursos mais significativos da História mas também para aqueles oradores que querem revisitar técnicas de oratória e de escrita de Discursos. 
Cada discurso é um momento único para trabalhar retoricamente: analisar os movimentos do discurso, as suas ideias principais, as formas argumentativas, os padrões retóricos e discursivos que se repetem.


Retoricamente, boas leituras!











Grandes Discursos: Charles de Gaulle a 18 de Junho de 1940

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A 18 de Junho de 1940, o General Charles de Gaulle pronunciava o discurso fundador da Resistência Francesa durante a II Guerra Mundial. Transmitido pela rádio britânica BBC, o discurso, além de apelar à luta contra o Terceiro Reich, prenuncia já a mundialização da Guerra.

Era claro já que a França estava em risco de perder a guerra e tornar-se uma colónia alemã. Recusando assinar o armistício, o Primeiro-Ministro Paul Reynaud foi forçado a demitir-se e a ser substituído por Philippe Petain, o qual havia manifestado maior disponibilidade para acomodar as pretensões alemãs. Em desacordo com esta substituição, o General Charles de Gaulle, líder das Forças Livres Francesas (Forces Françaises Libres) reuniu-se com os responsáveis britânicos (incluindo Wiston Churchill) para delinear as acções futuras. Foi neste contexto que ele proferiu um discurso, em Londres, perante os microfones da BBC. Nele, de Gaulle exorta os franceses a não perder a esperança e desafia-os a combater a ocupação alem…

Aspasia, a mulher que ensinou eloquência a Péricles

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Aspásia de Mileto (470-410 AC) é um dos primeiros exemplos de mulheres ligadas à eloquência e à retórica. Tendo um relacionamento com o estadista, orador e general Ateniense Péricles, com quem teve um filho, Aspásia foi uma mulher culta e educada que previsivelmente exerceu grande influência no meio intelectual e político de Atenas.

Oriunda de uma família rica de Mileto, na época, antiga cidade da Ásia Menor (actualmente Turquia), Aspásia recebeu, desde pequena, uma educação refinada e variada.
Embora não tenha chegado até nós discursos de Aspásia, acredita-se que será da sua autoria os discursos fúnebres proferidos por Péricles depois da Guerra do Peloponeso. No diálogo Menexenus, de Platão é referido que o próprio Sócrates se havia maravilhado com a sua eloquência.
A sua reputação, ao longo dos séculos, foi envolta em polémica. Aristófanes, na peça satírica Os Acarnânios culpa Aspásia pela guerra do Peloponeso. Outros autores descrevem-na como sendo moralmente devassa. Contudo, o…

Cícero: "Para mim a eloquência que não causa admiração não é eloquência"

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Numa das suas cartas a Bruto, em 48 A.C, Marco Túlio Cícero, um dos grandes estadistas e oradores da antiguidade, confessava: Nam eloquentiam quae admirationem non habet nullam judico, isto é: "Para mim a eloquência que não causa admiração não é eloquência".

Pode parecer uma afirmação banal mas encerra a essência da competência de discursar: a verdadeira e competente eloquência causa impacto no auditório. Não provoca apenas deleite como usa o seu carácter agradável para persuadir! A admiração é, assim, a consequência do emprego dessa ferramenta indispensável da oratória que é a eloquência.
A habilidade de convencer alguém através das palavras é uma das mais acarinhadas capacidades, estimada pelas mais distintas personalidades, ao longo do tempo.
Cícero, advogado e Cônsul Romano (63 A.C), lembra-nos o quanto um discurso expressivo e eloquente leva à admiração do orador e que esse assombro positivo o projecta na mente do auditório como sendo digno da sua atenção.
Cícero conc…

Grandes Discursos: Emmeline Pankhurst "Freedom or Death"

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Tradicionalmente, a Retórica não é associada a mulheres. Quando pensamos em grandes oradores, a tendência é indicar um homem, como Hortênsio Hórtalo ou Cícero e não uma mulher. Mas, desde a Grécia Antiga, temos referência de grandes oradores que eram justamente mulheres. Uma das mais antigas mulheres associadas à retórica é, por exemplo, Aspasia (410 A.C).

Também o séc. XX é rico em mulheres cuja "retórica" incendiou o mundo e, em última análise, o mudaram para sempre. Trago-vos, desta vez, o famoso discurso intitulado "Liberdade ou Morte", proferido, em 1913, por Emmeline Pankhurst, em Hartford, Connecticut.
Emmeline Pankhurst (1858-1928) foi uma activista política, líder do movimento sufragista britânico que reclamava o direito das mulheres a votar. Em 1999, a revista Time colocava Pankhurst como uma das 100 pessoas mais importantes do séc. XX. No filme de 2015, Sufragette, Emmeline Pankhurst é interpretada por Merryl Streep.
Nascida em Moss Side, Manchester, inte…

Grandes Discursos: "Hope and Glory" de Nelson Mandela

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É minha convicção que só aprendemos a escrever  e proferir grandes discursos quando nos habituamos a ler regularmente e a assistir a grandes discursos.

Como tal, aqui está mais um exemplo de Grandes Discursos da História: a tomada de posse de Nelson Mandela como Presidente da África do Sul, em 1994.
A África do Sul atravessava um momento crítico: a transição desde o Apartheid (a segregação da sociedade com base na raça) para uma democracia capaz de oferecer a igualdade a todos os cidadãos, independentemente da sua raça ou classe social. Nelson Mandela foi o primeiro presidente democraticamente eleito e no seu discurso inaugural prometeu segurança, orgulho e glória.
Este discurso sublinha a devoção dos Sul-Africanos em torno da Unidade, Liberdade e Renovação. É um exemplo de uma escrita perpassada pela emoção e onde encontramos várias comparações com a Natureza. Por exemplo, com o desabrochar de um país. A mensagem cá um tributo à perseverança do espírito humano, centrando-se, tal com…

Grandes Discursos: Mahatma Gandhi "Quit India"

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A 8 de Agosto de 1941, em Bombaím, Mahatma Gandhi, o líder do movimento de independência da Índia, proferiu um dos seus mais célebres discursos: "Quit India". 
Preconizando aquilo que ficou conhecido por "resistência passiva", uma acção não-violenta de afirmação da vontade civil, Ghandi reclamava a independência da Índia face ao domínio Britânico que se verificava há mais de um século.

Neste pequeno discurso, Gandhi começa por estabelecer o seu Ethos lembrando que é ainda o mesmo homem dos anos 1920 e que continua a defender a desobediência civil não-violenta. O ponto alto da alocução é a afirmação do ideal democrático onde cada pessoa seja senhora de si própria. Sublinhando a igualdade entre religiões, Gandhi apela à união nacional na sua luta pela independência.

Excerto de "Quit India" (1942):

"I believe that in the history of the world, there has not been a more genuinely democratic struggle for freedom than ours. I read Carlyle’s French Resolution wh…

Descubra as Diferenças: o discurso inaugural de Obama e de Trump

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Os discursos podem distinguir-se pelas ideias que veiculam. Mas só se tornam memoráveis quando são eloquentes. 
Os discursos inaugurais da presidência de Obama, em 2009, e Trump, em 2017, podem parecer semelhantes mas, na verdade, são muito diferentes entre si a dois níveis: na Invenção retórica (conteúdo); e na Acção retórica (no desempenho oratório).  Dois presidentes dos Estados Unidos da América, duas oratórias, dois discursos contrastantes. Façamos um exercício de análise e descubramos as (muitas) diferenças entre o orador Obama e o orador Trump. 

Invenção
No primeiro discurso enquanto recém-eleito Presidente, Obama fala de cooperação internacional e da necessidade de afirmar a diplomacia norte-americana junto do mundo. O seu tom é o de abertura às adversidades que afligem o mundo e inclui a promessa implícita dos Estados Unidos da América de participarem na resolução desses problemas. Por seu turno, Trump apresenta um discurso marcado, não pela extroversão, mas pela introversão …