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Com ou sem carisma: o orador decide

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Porque na sociedade digital em que vivemos não existe, por vezes, tempo suficiente para ler posts demorados deixo-vos uma pequena dica de linguagem corporal. Mudando a postura, muda a imagem que o orador transmite. Se querem transmitir força (ethos) e ao mesmo tempo empatia (pathos) não experimentem a postura ilustrada à direita da imagem.

Não se esqueça o que os olhos estão postos em si: ocupe o espaço (que é seu enquanto orador), olhem em frente, use gestos que transmitam a energia com que quer contagiar o auditório e partilhe as suas ideias!
Os oradores são carismáticos ainda antes de falar! Na verdade, nem é necessário ter uma expressão verbal rara. Basta uma boa comunicação não-verbal!
Quando se apresenta aos outros o seu corpo já está "a falar" e a dizer muitas coisas acerca de si. Adopte a postura da esquerda e transmitam o carisma que o vai diferenciar dos demais. Decida como quer parecer e ponha o seu corpo "a dizer" aquilo que importa.



Retoricamente, bons …

Falácias: o que são?

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Este post é um excerto do livro "Introdução à Retórica no séc. XXI" (p.150):


As falácias são raciocínios falsos ou errados ainda que aparentem ser verdadeiros. 
O termo “falácia” deriva da palavra latina fallere que significa enganar. Na Retórica, a falácia é um raciocínio argumentativo fraco e pode ser facilmente confundida com argumentos fortes. 

A falácia é um argumento, porém, é um argumento logicamente inconsistente (ex: “Podemos ir embora. Se até agora ninguém apareceu não é agora que vai chegar”), sem fundamento (ex: “Os últimos ataques terroristas foram perpetrados por radicais islâmicos. Logo, todos os muçulmanos são terroristas”) ou inválidos (ex: “Se é verdade para ti, para mim tem de ser mentira. Somos pessoas tão diferentes”).

Do ponto de vista lógico, as falácias provam conclusões independentes da verdade das premissas.
Assim:
Os rubis são vermelhos; Este anel tem uma pedra vermelha;Logo, este anel só pode ser um rubi!
Ou:
Quando estou constipado tenho dores de cabeça; T…

Fazer brilhar os seus slides do Powerpoint em 3 passos

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O uso de ferramentas multimédia é, para muitos oradores, indispensável para melhor transmitir as suas ideias ao auditório, esteja ele numa reunião de trabalho ou numa conferência. Os conteúdos visuais ajudam a comunicar melhor ao complementarem o discurso oral.
Ficam aqui três dicas para que os vossos slides de PowerPoint se destaquem dos demais.

1. Concebam um modelo de apresentação evitando os templates
De forma a evitar apresentações incoerentes estabeleçam, desde o início, um modelo visual de apresentação. Evitem os templates porque são usados por todos e podem até não se adequar ao tema e estilo de apresentação que necessitam de fazer. Devem definir para todos os slides (sem excepção): tipo de letra (Times New Roman, etc) tamanho de letra diferenciado para títulos e para texto Espaço para texto e espaço dedicado a imagens Escolham no máximo três cores para o seu modelo de apresentação. Nunca ultrapassem este número pois correm o risco de tornar a vossa apresentação multimédia um &q…

Mito: o auditório está ali para julgar o orador

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Por vezes, encontro pessoas que me confessam o quanto preferem estar sentados na sala de conferências. Dizem-me elas que não aguentam falar em público porque se sentem avaliadas, julgadas e até criticadas!

Este é um mito persistente, o de que o orador, ao apresentar-se perante um auditório, se encontra numa posição de inferioridade e vulnerabilidade, uma vez que fica exposto ao (alegadamente) duro olhar daqueles que escutam.
Tal não é absolutamente verdade.  Sem dúvida que qualquer orador se submete à apreciação e ao escrutínio do auditório. Mas isso não quer dizer que um orador tem a difícil tarefa de convencer o auditório a não o criticar. O ponto de partida é inverso: o orador tem de convencer o auditório, não a abster-se de criticar, mas de aderir às suas teses, e a gostar daquilo que escuta.
O auditório não está ali para julgar ou examinar o orador nem o discurso visa apenas proteger o orador das eventuais críticas. O orador discursa em público para ajudar o auditório a reflectir…

Mito: os introvertidos não podem ser bons oradores

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Outra das ideias pré-concebidas mais frequentes acerca da oratória e da comunicação em público afirma que as pessoas tímicas, reservadas ou discretas não podem proferir bons discursos. Assim, seria como se os grandes oradores fossem "abençoados" por terem uma personalidade extrovertida, alegre e comunicativa e aqueles que, habitualmente, são menos descontraídos seriam imediatamente remetidos ao silêncio.

Não é assim! O carácter do orador (no sentido psicológico do termo e não no sentido retórico de ethos) ajuda a determinar o rumo da comunicação, mas não é determinante para o seu sucesso. Isto quer dizer que até as pessoas mais introvertidas podem ser excelentes oradoras! Certo, o leitor não gosta de ter todas as atenções em si. Mas isso não significa que, assim seja necessário, deixe para trás esses receios e assuma o palco com eloquência. Os introvertidos são também pessoas que podem fazer a diferença. Sobre este assunto, podem ler o livro recentemente traduzido para port…

Oradores irreverentes sim...mas não histriónicos!

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Por regra, queremos oradores que se destaquem! Oradores carismáticos, enérgicos e confiantes, pessoas activas e nos chamam a atenção e não permitem que os esqueçamos mais. Queremos oradores irreverentes que "magnetizem" o auditório com o seu entusiasmo e vivacidade.
Alguns deles até usam adereços e todo o tipo de objectos para melhor ilustrar ou demonstrar as suas ideias. A maneira como os usam singularizam a apresentação fazendo com que seja difícil ao auditório esquecer-se daquele discurso marcante.

Cada orador tem o seu estilo.  Conheço vários exemplos de pessoas cujo tom de voz é troante e vigoroso. Falam com convicção e força na voz.  Outros oradores começam por falar sentados mas quando atingem o clímax do seu discurso, entram num estado ebulitivo, quase furioso (no bom sentido da palavra), levantando-se e gesticulando intensamente.
Independentemente do estilo de cada, a singularidade do orador não deverá nunca confundir irreverência e arrojo (não apenas no que dizem ma…

O que é a Retórica?

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Mas se é verdade que não recebemos dos deuses nada mais requintado que esse poder de falar, o que pode  ser mais digno de cultivar com esforço e trabalho, ou em que aspecto podemos ser mais desejosos de  superar os nossos semelhantes, senão no exercício, exactamente, do poder através do qual os homens  suplantam os animais?
Quintiliano,
Institutio Oratoria, II, XVI.17



Eis um excerto do livro "Introdução à Retórica no séc. XXI" que nos ajuda a perceber melhor o que é a Retórica.
 "Ao longo da História, a capacidade de transmitir aos outros, de forma estruturada e convincente, aquilo que pensamos foi uma das mais vitais formas de comunicação.  A Retórica é a disciplina que estuda o modo como comunicamos persuasivamente com os outros. A persuasão pode ser definida como “o processo simbólico no qual os comunicadores procuram convencer outras pessoas a alterar as suas atitudes ou comportamento em relação a um assunto através da transmissão de uma mensagem, num ambiente de lib…