Aquilo que alguns oradores fazem (e não deviam) - parte I


Todos os anos, assisto a  diversas conferências e dezenas de apresentações e de todas essas vezes constato que alguns oradores possuem certos hábitos negativos ou comportamentos tóxicos que se repetem, comunicação após comunicação.

Por exemplo, apagar a luz!

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Comunicar perante uma plateia de uma Anfiteatro pode ser assustador. Eu sei...
Mas isso não significa que o orador apague a luz!

Vulgarmente, perante uma apresentação multimédia, algumas pessoas tendem a desligar todos os ponto de luz e deixar o auditório no escuro pois, assim, sentem-se mais confortáveis.
Acaba por ser uma maneira de reduzir a ansiedade oratória já que sentem que os olhos do auditório se encontram na Apresentação Multimédia e não neles próprios.
O seu objectivo é deixar os slides falarem por si e confiar na luz do projector para atrair o olhar do auditório.  Os oradores  pretendem dar destaque total à Apresentação Multimédia e resignam-se ao seu lugar secundário (geralmente junto a uma das paredes).

Mas não deveriam, antes, ser eles próprios (e as suas ideias) a serem o centro das atenções em vez de meia dúzia de slides vistosos?

Apagar as luzes é um hábito a evitar e possui graves consequências!


Primeiro, o elemento mais importante da comunicação é o orador perante o seu auditório. Este deseja ouvir as ideias do orador. Se o orador se esconde no escuro, não apenas deixa de ser o centro da comunicação. A comunicação fica, deste modo, debilitada porque está quase exclusivamente reduzida à apresentação de diapositivos- e não ao orador. O foco da comunicação deve ser sempre o orador!

Segundo, o orador perde-se na escuridão e com ele toda a riqueza da sua comunicação não-verbal. Ele é apenas uma voz distante a reiterar os slides. Não queiram ser oradores sem corpo. Este confere expressividade que apenas a voz não consegue produzir.


Terceiro, se o auditório não o vê, ele não vai conseguir absorver as suas ideias com o mesmo grau de persuasão do que se o visse. Perde-se a conexão ou a relação do orador com o auditório. Além disso, torna-se impossível estabelecer contacto visual com o auditório. Isso provoca, entre outras coisas, que o orador não possa receber feedback e perceber até que ponto o seu discurso está a ser bem aceite.


Contrariar o hábito de apagar a luz

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Com vista a eliminar o hábito de apagar a luz durante uma comunicação, lembre-se que é a si que o auditório quer ouvir.
Deixe as luzes do anfiteatro ligadas, mesmo quando se refere a diapositivos do PowerPoint. Assim, vão poder vê-lo ao mesmo tempo que o escutam. Só assim conseguira criar uma relação com o auditório.
E não se esqueça de enfatizar toda a sua linguagem corporal, gestos, paralinguagem e expressões faciais. Todos estes elementos conferem expressividade e emotividade àquilo que afirma. A luz acesa é precisamente aquilo que permite que o auditório percepcione toda essa emotividade.



Retoricamente, Bons Discursos!



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